O choro é de saudade. Saudade de algo que ela nem mesmo viveu. Ela apenas imaginava como seria, se ela fosse só dele, e ele só dela.Lígia, mulher da vida, com sentimentos machucados pelo tempo, e que do corpo este não tirou a grande beleza é a mulher que chora ao olhar a foto.
No tempo dos cabarés de luxo, nos anos 70, ela era a mais bela, e a mais desejada por todos os homens. Mas depois de tantos, apenas aquele de panamá branco foi o que lhe encantou. No Palácio dos Bares, Chico sempre lhe tratava como a princesa deste, e era somente ela.
Durante um mês as noites foram eternas, e hoje Lígia lembrava de cada beijo e amassos mais quentes como se pudesse senti-los. E ela lembrava também de como terminou.
O tempo de Chico em Belém acabara. Ele tinha que voltar para sua mulher e filhos no Rio de Janeiro. Ela só soube quando o moço da chapelaria do Palácio lhe entregou uma foto de Chico, com uma dedicatória escrita por ele.
O conto da meretriz havia chegado ao fim. Seu príncipe encantado se fora. Agora, apesar das lágrimas Lígia não tem arrependimentos, pois aqueles momentos à meia luz, em que ele à descrevia em Folhetim, foram os melhores de sua insana vida.
*Palácio dos Bares: cabaré de luxo de Belém nos anos 70, existente até os dias de hoje, fruto da belle époque.
*Folhetim: grande sucesso de Chico Buarque de Holanda (http://letras.terra.com.br/chico-buarque/85968/)
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