segunda-feira, 18 de abril de 2011

Filosofia



O mundo me condena
E ninguém tem pena
Falando sempre mal do meu nome
Deixando de saber
Se eu vou morrer de sede
Ou se vou morrer de fome.

Mas a filosofia
Hoje me auxilia
A viver indiferente assim.
Nesta prontidão sem fim
Vou fingindo que sou rico
Para ninguém zombar de mim.

Não me incomodo
Que você me diga
Que a sociedade
É minha inimiga.
Pois cantando neste mundo
Vivo escravo do meu samba
Muito embora vagabundo.

Quanto a você
Da aristocracia
Que tem dinheiro
Mas não compra alegria
Há de viver eternamente
Sendo escrava desta gente
Que cultiva hipocrisia.





Grande Noel Rosa.

O preconceito nosso de cada dia.

Preconceito, nunca. Temos apenas opiniões bem definidas sobre as coisas. Preconceito é o outro que tem...

Mas, por falar nisso, já observou leitor como temos o fácil hábito de generalizar (a prova disso é a generalização acima) sobre tudo e todos? Falamos sobre ''homens'', a partir de experiências pessoais; conhecemos ''os políticos'', após acompanhar a carreira de dois ou três;  sabemos tudo sobre os ''militares'' porque o síndico do nosso prédio é um sargento aposentado; discorremos sobre homossexuais (bando de sem-vergonhas), muçulmanos (gentinha atrasada), sogras (feliz foi Adão, que não tinha sogra nem caminhão), advogados (todos ladrões), professores (pobres coitados), palmeirense (palmeirense é aquele que não tem classe pra ser são-paulino nem coragem pra ser corinthiano), motorista de caminhão (grossos), peões de obras (ignorantes), sócios da Assembleia Paraense (metidos a besta), dançarinos (veados), enfim, sobre tudo. Mas discorremos de maneira especial sobre raças e nacionalidades e, por extensão, sobre atributos inerentes a pessoas nascidas em determinados Estados.
Afinal, todos sabemos (sabemos?) que os franceses não tomam banho; os mexicanos são preguiçosos; suíços, pontuais. os italianos, ruidosos; os judeus, argentários; os árabes, desonestos; japoneses, trabalhadores, e por aí afora. Sabemos também que cariocas são festeiros; bahianos, folgados; nordestinos, pobres; mineiros, diplomatas, etc. Sabemos ainda que o negro não tem o mesmo potencial que o branco, a não ser em algumas atividades bem-definidas como o esporte, a música, a dança e algumas outras que exigem mais do corpo e menos da inteligência. Quando nos deparamos com uma exceção admitimos que alguém possa ser limpo, apesar de francês; trabalhador, apesar de mexicano; discreto, apesar de italiano; honesto, apesar de árabe; desprendido do dinheiro, apesar de judeu; preguiçoso, apesar de japonês, e também por aí afora. Mas admitimos com relutância e em caráter totalmente excepcional.
Temos pesos, medidas e até um vocabulário diferente para nos referimos ao ''nosso'' e ao do ''outro'', numa atitude que, mais do que auto-condescendência, não passa de preconceito puro. Por exemplo, a nossa é religião, a do outro é seita; nós temos fervor religioso, eles são fanáticos; nós acreditamos na lei de Deus (o nosso sempre em maiúsculas), eles são fundamentalistas; nós temos hábitos, eles vícios; nós cometemos excessos compreensíveis, eles são um caso perdido; jogamos muito melhor, o adversário tem é sorte; e, finalmente, não temos preconceito, apenas opinião formada sobre as coisas.
Ou deveríamos ser como esses intelectuais que para afirmar qualquer coisa acham necessário estudar e observar atentamente? Observar, estudar e agir respeitando as diferenças é o que se espera de pessoas éticas e, de fato, lutam por um mundo mais justo. De nada adianta praticar nossa indgnação moral diante da televisão, protestando contra limpezas raciais e discriminações pelo mundo afora, se não ficarmos atentos ao preconceito nosso de cada dia.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Sou dessas mulheres

        O choro é de saudade. Saudade de algo que ela nem mesmo viveu. Ela apenas imaginava como seria, se ela fosse só dele, e ele só dela.
        Lígia, mulher da vida, com sentimentos machucados pelo tempo, e que do corpo este não tirou a grande beleza é a mulher que chora ao olhar a foto.
        No tempo dos cabarés de luxo, nos anos 70, ela era a mais bela, e a mais desejada por todos os homens. Mas depois de tantos, apenas aquele de panamá branco foi o que lhe encantou. No Palácio dos Bares, Chico sempre lhe tratava como a princesa deste, e era somente ela.
       Durante um mês as noites foram eternas, e hoje Lígia lembrava de cada beijo e amassos mais quentes como se pudesse senti-los. E ela lembrava também de como terminou.
       O tempo de Chico em Belém acabara. Ele tinha que voltar para sua mulher e filhos no Rio de Janeiro. Ela só soube quando o moço da chapelaria do Palácio lhe entregou uma foto de Chico, com uma dedicatória escrita por ele.
        O conto da meretriz havia chegado ao fim. Seu príncipe encantado se fora. Agora, apesar das lágrimas Lígia não tem arrependimentos, pois aqueles momentos à meia luz, em que ele à descrevia em Folhetim, foram os melhores de sua insana vida.







*Palácio dos Bares: cabaré de luxo de Belém nos anos 70, existente até os dias de hoje, fruto da belle époque.
*Folhetim: grande sucesso de Chico Buarque de Holanda (http://letras.terra.com.br/chico-buarque/85968/)

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Albinismo mental


Conhece aquela sensação de ter um chumaço de algodão ocupando o lugar onde deveria estar seu cérebro?
Sabe aquela coisa de ter de parar para pensar quando perguntam seu nome?
As vezes acontece, ou acontece sempre. Pode ser porque eu sou desligada mesmo, ou porque eu penso e faço tanta coisa ao mesmo tempo, que as coisas mais simples eu simplesmente, esqueço. Tem dias que quando perguntam minha idade, eu me supero e viajo literalmente, penso se realmente tenho essa idade e como seria se fosse mais velha ou mais nova, e ai eu me esqueço de responder: Eu tenho 15 anos.
Penso que seja hereditário, meu pai é meio deslocado também. Mas também penso que seja coisa de momento, fases da vida onde a gente pensa muito, reflete mesmo e cria um senso critico, fase em que formamos nossas próprias ideologias. Então creio que seja bom essa confusão, mas se não for.. o que eu posso fazer?
Acho que só rir.

Albinismo Mental, quando o ''deu branco'' é hereditário, confuso e engraçado.

Sociedade Realista


O amor... Por que ficamos em dúvida em relação a isso? Deveria ser simples, um único amor para a vida inteira. Não haveria traições e o amor cresceria mais a cada dia. É uma pena que nos dias de hoje é raro encontrar o amor perfeito, aquele de homem e mulher, pois as pessoas esqueceram que o amor é tudo, e não nós cobra nada. A nossa sociedade que se diz realista, fala que o verdadeiro amor é impossível de se encontrar, e que o "para sempre", sempre acaba. Não acho correta essa afirmação, mas não é sinal de saúde estar desfocado de uma sociedade doente, porque é só mais uma opinião. Mas, eu confesso, já fui uma integrante dessa sociedade, pois ninguém acredita no amor até encontrá-lo, e eu encontrei, por isso, deixo essa mensagem à vocês, pessoas da sociedade.



Quem escreve: Glenda Williams, uma amiga, uma apaixonada.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Hoje

Numa noite eles [os guardas] vieram e levaram o meu vizinho que é judeu. Eu não protestei, pois não sou judeu. Na outra noite eles vieram e levaram outro vizinho que é negro. Eu não sou negro e, portanto, não tenho nada com isso. Em seguida, levaram um homossexual. Também não liguei, pois não sou homossexual. Depois eles prenderam uma família de ciganos que viviam nas redondezas. Também não reclamei, pois não sou cigano. Mas na última noite, eles me levaram para a prisão. E não havia ninguém mais para protestar contra isso.

Bertolt Brecht




Esse adágio se refere à Alemanha nazista (e também à Rússia Estalinista e outras sociedades onde reina o arbítrio, e os direitos das "minorias" não são respeitados), onde com frequência pessoas eram presas e levadas para os campos de concentração, e se pensar bem, hoje não é muito diferente de antes. Pessoas sofrem preconceitos pelo que são, são julgadas por sua descendência, religião, classe social ou opção sexual. Agora pensa, se formos descriminar as pessoas porque elas são diferentes estaremos descriminando à nos mesmos, pois todos são diferentes de todos, porém somos iguais apenas em uma coisa: somos humanos.

sábado, 15 de maio de 2010

Domingo




Acho que domingo é pior que segunda, segunda tem coisas pra fazer, pessoas pra ver, lugares pra ir, mesmo sendo obrigado(escola e trabalho por exemplo)
. Domingo é.. DOMINGO, dia mundial do Tédio, não tem coisas pra fazer, não tem pessoas a ver nem lugares a ir (ai dá saudade da escola).
Ao menos domingo tem duas coisas boas: as comidas de domingo(naquele almoço gostoso) e dormir até tarde de manhã. Mas, a tarde e a noite vendo o Faustão, que apesar de ter emagrecido, continua gordo, não dá né.
Ah, as vezes dá vontade de gritar, sair correndo pelo pátio (coisas Roberta),
e até mesmo querendo matar a TV (é possível?), mas ai dá a tal preguiça de todos os domingos, então você deita na cama de qualquer jeito e pensa: Calma, amanhã é segunda-feira.
Então o resto do dia passa e você dá graças a Deus que o Fantástico está terminando com aquelas reportagens chatas e começando os gols engraçados
(ao menos algo que te faça rir), ai no meio do comercial do Torpedão Premiado você dorme e acorda com o celular despertando,
ai você xinga o mundo porquê o domingo acabou, e começou a segunda-feira, pior, começou a semana. Ah! vai entender.